sem titulo… ( sim … sem título )

Em uma bela tarde de domingo resolvo sair por aí a fim de desencanar da semana que havia sido uma bosta…
Me deparo com uma pessoa que não via há tempos e começamos uma conversa que, até então, parecia que não daria em nada. Engano meu.
Engatamos um assunto chato para alguns e de “difícil acesso” para outros. O relacionamento entre casais.
Ele expôs suas situações e eu tentei amenizar ao máximo dizendo que tudo poderia ser resolvido com uma boa conversa, mesmo que, esta conversa levasse a temida separação.

Comecei este texto há algum tempo atrás, na verdade, muito tempo atrás… e, devido a alguns altos e baixo em minha vida, simplesmente não o continuei.

Dando continuidade a partir deste momento, devo confessar que me arrependo ! Sim, me arrependo !

Naquele domingo falávamos de seu casamento e do meu e das desventuras associadas a tudo o que vem no “kit matrimonial”. Que é uma grande caixa de surpresas !!!
Nosso amor aos, até então, cônjuges, nunca negamos mas, tínhamos do que nos queixar. Oh se tínhamos ! E, é claro, que eles também. Eu já estava em processo de separação muito doloroso mas, o meu amigo, estava em um  de resgate .
Eu cheia de dor no coração e alma tentava convencê-lo de que o melhor, inicialmente, seria  diálogo entre o casal. Relacionamento que vi nascer, crescer e… enfim, vamos resgatar ! Já que o meu, havia chegado ao fim sem nem ter tempo de pensar em resgate.
Foram dias e noites de tentativas de momentos mas românticos dele a ela mas, quase sempre, frustrantes. Não era pra menos, apesar da alegria de terem um bebê, surgiu o diagnostico de um câncer. E esta maldita doença estava acabando com eles, tinha virado o novo foco do casal e nada, nem ninguém que tentasse trazer aqueles dias de amor e romance de volta a eles, conseguia vencer.
Passaram-se meses e o reencontrei num momento de felicidade pra mim, afinal, estava ao lado do meu amor feliz da vida andando de bicicleta como se existisse apenas nós dois no mundo e, então, ele avistou meu amigo dirigindo em alta velocidade e parecia distraído quanto a movimentação na rua e quase nos atingiu. Ele chorava muito e disse que a esposa havia piorado de tal forma que, era só esperar a morte chegar. Naquele momento, olhei para a pessoa que estava comigo e pensei: E se fosse com a gente ?

Desse momento em diante, a vida do meu amigo passou a ser a da esposa, tudo o que fazia era por ela, tudo o que comprava era pra ela. Ele já não tinha mais vida e existe um por quê sobre tudo isso. Durante todo o relacionamento, a vida dela se resumia em fazê-lo feliz. Ele achava aquilo um exagero e não era tão atencioso a isso. Um dia ela cansou e disse: –  Basta ! Quero me separar de você !
Foi quando ele se tocou de que não poderia viver sem ela. E foi exatamente naquele domingo em que nos encontramos…

Há pouco mais de um ano, o câncer venceu e a levou. Lembro como se fosse hoje a ligação dele a minha casa bem cedinho dizendo que ela havia falecido. Pulei da cama, acordei minha irmã e andei por um tempão dentro de um cemitério enorme procurando por ele. Foi um dos momentos mais tristes de nossas vidas.
Depois de algum tempo saímos pra conversar um pouco e ele disse que havia muito mais dor em seu coração por não ter sido diferente enquanto ela vivia. Que deveria ter cuidado melhor do relacionamento enquanto era saudável. Ele, por algum tempo, não foi um dos melhores maridos mas, aprendeu a ser quando se viu ameaçado pela separação e, superou expectativas, quando viu que seria pior ainda do que perdê-la pra outro homem. Ela nunca o deixaria por outro homem. Ela tinha princípios e valores morais irretocáveis. Eu a amava também, a admirava pela paciência e cuidados que tinha com ele.

E, por que e resolvi retomar este texto e publicá-lo depois de tanto tempo ( depois de quase três anos ) ?

Não sei bem. Afinal, é uma história triste de se lembrar e falar. Mas a vida nos traz ensinamentos de formas tão surpreendentes e marcantes, que ela parece cruel em alguns momentos. Meu amigo aprendeu muito com este amor e esta dor. Mas foi a partir do momento em que li: “O amor é nobre demais pra ficar mendigando “, que comecei a reescrevê-lo. Ela nunca mendigou pelo amor de seu marido, não. Muito pelo contrário, ela mostrou a ele, em vida e morte, o verdadeiro valor por gestos, palavras e tudo o mais deste sentimento que vem dentro daquele kit matrimonial.

Isso me fez lembrar alguns fatos que presenciei e passei. Este, sem duvidas,  foi um dos mais importantes.

Hoje, Ele é viúvo e tem medo de amar e Eu, divorciada e retrocedente deste sentimento. Mas decidi deixar TUDO para trás e viver.

… e como estou agora ?

Bem… deixarei pra contar no futuro…

 

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